17/mai/2017 • 16:32

O que acontece aos quase 17 anos ?

/ por Philippe Lacadée 1 /

Aos quase 17 anos, nos aproximamos da idade de 17 anos, na qual o poeta nos ensina que não temos como ser sérios, e que além do mais estamos nos meses do amor, a dita primavera, ou mesmo o Despertar da Primavera, essa peça teatral tão cara a Freud e a Lacan. Voltemos à sua poesia, Romance:

Não se pode ser sério aos dezessete anos.

(…)

Noite de junho! Dezessete anos! Embriagados.

A seiva é champanhe e lhe sobe a cabeça…

Divagamos; e, no lábio, um beijo se anuncia

A palpitar ali como um pequeno inseto

O coração louco Robinsona em clima de romance

(…)

Passa uma moça com encantos de relance, 

(…)

Ela se vira, alerta, em movimento tênue…

Você está apaixonado. Tomado até o mês de agosto.

Você está apaixonado. De seus sonetos ela ri

(…)

Não se pode ser sério aos dezessete anos. (RIMBAUD, 1991)

O “não se pode ser sério” de Rimbaud deve ser levado a sério, na medida em que desde a idade de 15 anos ele se meteu no sério trabalho da escrita de sua poesia, para traduzir suas sensações. Mas ele já era preciso com essas coisas de poeta. Vejam o que ele escrevia a Théodore de Banville em 24 de maio de 1870:

   

Estamos nos meses do amor; estou com 17 anos. A idade das esperanças e quimeras, como se diz, ‒ e veja que me meti, criança tocada pelo dedo da Musa, ‒ desculpe se isso é banal – a declarar minhas boas crenças, minhas esperanças, minhas sensações, todas essas coisas de poetas – eu chamo isso de primavera. (RIMBAUD, 1991)

Reconhecemos aqui o que inspirou o titulo deste meu artigo. Arthur Rimbaud, príncipe da adolescência, orienta ainda, como o indica Leonardo Di Caprio (2016), o que ocorre no corpo e no pensamento dessa idade que carrega tanto a esperança quanto o desespero. Eu comecei com o quase 17 anos, mesmo que Rimbaud tenha escrito “17 anos” na sua carta publicada, para ser fiel à sua carta e à sua escrita, pois ele havia primeiro escrito “quase”, mas depois o riscou.

Na verdade, ele tinha 15 anos quando escreveu essa carta. Esta nos transmite, ao mesmo tempo, a esperança e a quimera da idade, nisso que permanece para sempre criança. E o que dizer do século XXI, tempos modernos que oferecem novas modalidades de laço social que reatualizam as questões essenciais dos adolescentes, nem sempre oferecendo a eles a possibilidade de melhor localizar isso que pode lhes ser um problema?

A adolescência é, antes de tudo, um significante do Outro, que, desde o final do século XIX, designando esse momento particular da vida, que resulta de um tempo lógico próprio a cada um. O adolescente adota uma nova maneira de falar e de viver as sensações inéditas, que, ao surgirem, o confrontam com o novo, fazendo valer este belo enunciado de Rimbaud: “encontrar uma língua”. Nossa proposta é tomar esse momento, chamado crise da adolescência, para enfatizar que o seu desafio mais fundamental se situa na relação do corpo vivo do adolescente moderno com a língua articulada, essa chamada língua do senso comum. É o que proponho chamar “crise da linguagem”, ou “crise da língua articulada”. É a partir daí que surge a questão do ato, muito importante quando o sujeito não pode mais articular o seu ser à língua do Outro.

Freud nomeia o real que não se reduz ao real biológico do aumento do fluxo hormonal como “metamorfoses da puberdade”. Esse momento lógico é marcado pela descoberta do aparecimento de um novo objeto, o objeto sexual, que faz entrar em jogo a pulsão sexual, que era, até então, autoerótica. Um novo alvo sexual é dado, e até mesmo exigido, o que repercute no enlaçamento do corpo com a língua.

Com isso, a adolescência é, por um lado, metafórica, visto que é a substituição de um significante por outro significante, mas, por outro, ela tem de se haver com o objeto metonímico, aquele da pulsão sexual, que faz efração no real, exigindo do sujeito, de maneira superegoica, sempre mais satisfação, um mais gozar. Há aí um remanejamento radical da vida sexual infantil, devido à escolha de objeto de amor sexuado. Essa etapa é aquela da redescoberta do objeto ao qual a criança renunciara no final do Édipo, antes de entrar no período de latência. Ela tem como consequência o recalcamento do objeto parental, que se vê, então, definitivamente condenado como objeto sexual. De fato, em plena busca de si mesmo, o adolescente se vê obrigado a assumir, frequentemente sozinho, a sua identidade sexual, segundo a fórmula da sexuação que cabe a ele escolher.

A psicanálise traz uma perspectiva inédita sobre esse momento da puberdade que Freud tornava equivalente a “escavar um túnel pelos dois lados ao mesmo tempo”, e atravessá-lo. Um buraco, portanto, em que uma das extremidades fura a autoridade, o saber, a consistência do Outro parental. A outra extremidade perturba a vivência íntima do corpo da criança, fazendo furo em sua existência infantil. Um túnel onde se opera, para o sujeito, uma desconexão entre o seu ser de criança e o seu futuro ser de homem ou de mulher. Travessia do túnel que Victor Hugo descrevera como uma zona crepuscular, chamando-a “a mais delicada das transições”, ou seja, “o começo de uma mulher no final de uma criança” 2. A transição, que é uma fórmula de retórica que define a passagem de uma ideia a outra, explica a mudança marcada pela dificuldade que experimenta o sujeito em continuar a situar o seu ser no discurso que, até então, dava uma ideia dele como criança fálica, isto é, seu lugar como objeto vinculado ao desejo do Outro parental.

Cada adolescente dá, ao seu modo, testemunho de como ele se situa sozinho diante desse real. Para o adolescente, a sexualidade “faz furo no real” (LACAN, 2002) e o confronta com um buraco no saber que questiona todo o saber do Outro, fazendo-o se deparar com o impossível, ou seja, um novo real indizível. Assim, Lacan retoma, ao seu modo, o furo do saber e o furo da sexualidade íntima da criança, já enfatizado por Freud em sua metáfora do túnel.

É nesse sentido que podemos qualificar a puberdade de troumatisme 3. O “real da psicanálise” é o que Lacan descobriu com os seus pacientes, e também ao longo da obra de Freud. Esse real reside no famoso enunciado “não há relação sexual”, cujo correlato poderia ser: mas há gozo, sobretudo no nível de um mais de gozar como elemento pulsional novo que brota no corpo de cada um, confrontando-o com um certo fora do sentido, fora do sentido do discurso comum. Não há relação sexual significa que, para todo sujeito, pelo fato de ser tomado na linguagem, não há no inconsciente nada que diga a um ser sexuado como se comportar com o outro. O gozo como tal procede do regime do Um. Ele é essencialmente ideal e solitário, não estabelecendo relação alguma com o Outro, e, ainda que o sujeito acredite na experiência de uma relação sexual possível, o gozo do corpo do Outro encontra um impasse, um impossível, uma não relação. A esse real ao qual Freud se viu confrontado (e que ele chamou das Ding, “a coisa”), Lacan deu o estatuto lógico de uma escrita, aquela do objeto “a”.

Lacan dá ao seu objeto “a” a função lógica de ser o que, no cerne de todo ser humano, diz respeito a um real inassimilável pela função simbólica. Para o adolescente, esse objeto “a” é, assim, o que causa os seus sofrimentos modernos, sempre modernos por estarem em ligação direta com a pulsão. Se ele pode causar o desejo exigindo, paradoxalmente, sempre mais liberdade, exigindo mais direito a viver a verdadeira vida, estando ao mesmo tempo fascinado por correr riscos de forma imperativa, ele pode também ser aquele que fará a miséria do sujeito em nome de uma vontade obscura de querer gozar ainda mais da vida.

Hoje, o desaparecimento dos ideais ou o deslocamento destes para os objetos de gozo ou de consumo fez com que a importância do objeto ultrapassasse aquela do ideal. Há na adolescência uma tensão entre ideal e objeto. Assim, a queda da identificação fálica se faz sob o modo da tiquê e confronta o adolescente com a libido, isto é, com o corpo em sua dimensão pulsional, tomado como objeto “a”, um corpo que se torna indizível.

A tomada em consideração da falta do Outro produz o que Lacan chama “o significante da falta do Outro”, que revela o real próprio a cada um. Esse é o lugar da instabilidade linguageira. Aliás, Lacan não definia a puberdade como o tempo lógico, função de um laço a ser estabelecido a partir da maturação do objeto “a” (LACAN, 2004)? Quanto a esse laço a ser estabelecido, o adolescente pode fazer a escolha insondável de curto-circuitá-lo, o que o precipita, então, da encenação organizada do acting-out às condutas aditas rumo à pressa da passagem ao ato. Se a dimensão do ato é tão importante nas patologias da adolescência, é porque o ato é uma tentativa de inscrever, nas crises de identidade que se fazem crises do desejo, a parte de real ligada ao objeto “a”. Daí a recrudescência das passagens ao ato como tentativa de se colocar em relação com o objeto “a”, e de se fazer um nome de gozo (viciado em drogas, infrator, etc.).

O adolescente expressa suas sensações ou seus desregramentos dos sentidos por meio da gramática pulsional de seu tempo, de que se goza mais perto do corpo. O significante sozinho S1, conectado diretamente à pulsão, pode se soltar e perturbar o laço com o Outro. A crise da língua articulada, S1-S2, estruturalmente ligada ao furo no real, vem questionar o traço que une S1 a S2, produzindo a instabilidade da linguagem. O adolescente prefere conservar seu S1 sozinho, pois ele enlaça diretamente seu corpo ao seu pensamento. Se é decisivo apreender esses momentos de denúncia do Outro, do Saber do Outro, é porque eles são diferentes segundo as estruturas clínicas.

Há uma ironia própria à adolescência devido a essa crise da linguagem que atravessada pela própria adolescência, que é aquela que questiona o saber do Outro (S2) diante da onipotência da sensação nova, à qual estão fortemente apegados. Esse S2, chamado por Lacan de “Saber”, constitui um dos desafios fundamentais do questionamento da adolescência. Esse par ordenado S1-S2 é igualmente o que chamamos “a língua elevada”. A base da articulação do sujeito com o laço social na “língua elevada” (o par ordenado S1-S2) não oferece mais o mesmo apoio para alguns adolescentes, que reivindicam uma vontade de gozar como queiram, ou seja, a partir do modo como ouvem essas palavras (S1) sozinhas que vêm às suas mentes. É por isso que, frequentemente, sem saber, e até mesmo sem o Saber, eles rejeitam o discurso estabelecido com o qual haviam consentido desde a infância. Por não poder mais encontrar o abrigo de um discurso estabelecido, o jovem de nossa “modernidade irônica” se encontra, ainda mais que antigamente, sozinho diante do “furo real” de sua sexualidade.

Daí o desafio crucial do dever de bem-dizer o que causa o seu sofrimento, o que dele está à espera de tradução, ou seja, o que está articulado em S2 ao Outro do Saber. E por isso a necessidade de lhe oferecer um lugar para que se estabeleça novamente esse laço, esse traço que o une ao Outro.

É nesse ponto preciso que o adolescente de hoje aloja o que chamamos o seu sintoma, isto é, sua demanda de respeito. É aí também que, para outros, se pratica uma forma de provocação linguageira. É o momento em que o adolescente tem a tarefa, o dever ético de encontrar uma língua para dizer sobre si ao Outro, o que faz com que se diga que a crise da adolescência é, antes de tudo, uma crise da linguagem. Tomar posição na língua, ainda que seja do modo mais desrespeitoso e desagradável para o Outro, é frequentemente, em situações de impasse, a solução adotada por certos adolescentes. O adolescente moderno faz um uso da língua em que ele se serve dela para nela se apresentar, muito mais do que nela se representar.

Para aqueles que se orientam pelo discurso analítico, contrariamente às terapias cognitivo-comportamentais, trata-se, ao longo dessa crise da linguagem, de privilegiar o ângulo da produção de um sintoma, de uma singularidade, muito mais do que de um déficit. Se essa singularidade parece inadaptada é simplesmente porque não houve, até então, um Outro para autenticá-la, para dizer sim à metamorfose que ele traduz com suas palavras.

A tarefa do adolescente é a de se separar da autoridade de seus pais, e esse é um dos efeitos mais necessários, mas também um dos mais dolorosos do desenvolvimento. A atividade fantasmática toma como tarefa livrar-se dos pais, que de agora em diante são desdenhados (hoje, talvez, sob o modo de provocações linguageiras). Essa tarefa não deixa de ter efeitos no nível da língua, pois é sempre pela autoridade da língua que se manifesta a autoridade dos pais; com isso, essa língua vai ser recolocada em jogo de maneira inédita.

Em nossa época, talvez mais do que antes, a autoridade da língua não está mais no mesmo lugar; às vezes ela está ausente e se encontra denunciada de forma ainda mais irônica, e isso porque certos jovens não tiveram a chance de receber da melhor maneira o discurso estabelecido pelo Outro, no qual eles podem situar o seu ser pulsional, que chamamos educação. É a esse encontro entre a língua da autoridade da transmissão e as línguas desses jovens que é preciso que sejamos muito sensíveis, pois aí se joga o futuro das inscrições do Outro que, de uma maneira ou de outra, eles têm de aprender.

Hoje, o declínio da função paterna e o descrédito lançado sobre certos discursos colocam em perigo a preservação de uma autoridade autêntica. Até então, a função de exceção do pai, que enlaça a lei ao desejo, demonstrava como se virar com o próprio gozo ‒ na vida privada, sabendo fazer da sua mulher, a mãe de seus filhos, aquela que causa seu desejo, ou em sua vida pública, oferecendo pontos de referência. O pai recebia o respeito e o amor devido a certo uso da língua. Saber se arranjar com o gozo, encarnando-o em uma maneira de viver e de falar susceptível de sustentar um lugar de identificação possível, dá direito ao respeito e ao amor. A queda da função do Nome do Pai precipita o sujeito em uma perturbação tal que ele pode querer sair da cena do mundo por meio de uma provocação ou de um ato.

Para alguns, o sintoma opera um enlaçamento entre o significante e o corpo; para outros, a passagem ao ato ou a uma prática de ruptura condena o sujeito a uma errância, longe de qualquer inscrição significante que possa ancorá-lo no campo do Outro. O ato serve, então, às vezes, como modo de saída ao impasse na relação com o Outro, ao que é experimentado a partir de um impossível de dizer. Esse ato, que concentra a preocupação com a autenticidade do adolescente, visa igualmente a uma denúncia do mundo dos semblants que o cerca.

Cabe a nós, psicanalistas, dizer como responder a esses atos, fugas e errâncias, sem reduzi-los a perturbações do comportamento. O espaço de liberdade de palavra que oferecemos aos adolescentes que recebemos no contexto da sessão analítica propõe um enquadre para que o sujeito encontre a via do novo no dizer. Cabe a nós apreendermos o que o faz agir, ajudando-o a encontrar um lugar de endereçamento para o seu sofrimento, um lugar onde elaborar sua própria fórmula ‒ ali onde o que é rejeitado por ele é a fórmula do Outro ‒, e que terá valor de suplência.

A psicanálise, por sustentar a maturação do objeto “a”, deve oferecer o lugar e o laço da associação livre como tradução possível. Um resto inassimilável pode vir a se depositar aí. Esse resto é o objeto “a”, esse real insuportável, esse indizível, essa parte obscura do ser, da qual não nos curamos, mas com a qual nos acomodamos mais ou menos bem. O insuportável exila às vezes o sujeito de seu sentimento de humanidade, exceto se o encontro com o Outro abrir esse ponto de onde o adolescente possa se ver como digno de ser amado e amável por um Outro que saiba dizer “sim” à sua tomada de palavra, à sua parte de exceção, à sua enunciação sempre incomparável. O novo que surge no dito poderá, então, orientar uma palavra inédita, uma nova tomada de posição na língua, e permitir que o adolescente traduza a via nova que se oferece a ele.

Graças à presença de um psicanalista, o adolescente poderá encontrar o modo de dar à sua própria língua, que se encontra em um impasse, um “empurrãozinho”, o que ele conseguirá fazer a partir desse ponto de onde ele se ouve falar com um Outro encarnado pelo seu analista. Para isso, é preciso saber acolher o S1 sozinho. É preciso saber dizer “sim” aos S1 de gozo, de sensações imediatas, de “liberdade livre”, de “verdadeira vida”, na qual eles acreditam. É preciso saber oferecer a chance inventiva da alienação significante, aquela da língua articulada S1-S2. Tal é o abrigo que o encontro com um psicanalista pode propor, guiando o adolescente na tarefa de bem-dizer o seu ser.

Um psicanalista pode, por sua presença física e silenciosa ‒ não portadora de ideal que forneça comentários sobre o ser do sujeito, mas sabendo receber o novo ‒, encarnar essa tensão entre o objeto “a” e o Ideal. De fato, a consequência fundamental da operação analítica é a preservação da distância entre o ideal e o objeto. A operação e a manobra da transferência devem ser reguladas de modo a manter a distância entre o ponto de onde o sujeito se vê amável, e esse outro ponto de onde o sujeito se vê causado como falta por “a” ‒ no qual “a” vem preencher a hiância que sua divisão inaugural constitui (LACAN, 1973).

O psicanalista pode acolher esse ponto de indizível do encontro sempre traumático com o Outro sexo, já que é isso que vem fazer furo no saber. Ele pode se propor como garantidor, no laço social, do desenlace desse nó entre ideal e desejo. E para que alguma coisa de novo advenha, ele pode, graças à sua presença e à sua responsabilidade, abrir a via de acesso ao desejo daquele que a ele se endereça, permitindo-lhe dizer de modo paradoxal uma parte de seu impossível de dizer.

NOTAS

1 Tradução: Pedro Braccini Pereira. Alguns trechos deste texto foram extraídos por Lacadée de outro artigo seu, “A clínica da língua e do ato nos adolescentes”, publicado em: Revista Responsabilidades, BH, Vol.1, N° 2, setembro de 2011 a fevereiro de 2012. A presente versão valeu-se da tradução de Yolanda Vilela para aquele artigo.

2 “Ela tinha essa graça fugidia do olhar que marca a mais delicada das transições da adolescência, os dois crepúsculos misturados, o começo de uma mulher no final de uma criança.” Citado por Alexandre Stevens em seu notável texto Sorties de l’adolescence (La Petite Girafe, n. 13, Mars 2001).

3 NDT: Troumatisme: expressão formada pelas palavras trou (buraco, furo) e traumatisme (traumatismo), e que evoca o traumatismo oriundo do furo da linguagem.

 

Referências:

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DI CAPRIO, L. Mon père, Rimbaud et moi. Entrevista à revista Le Point 2266, de 11/02/2016, p 105/107.

HÖLDERLIN. Fragments Thalia. IN: Œuvres complètes. La pléiade, Paris: Gallimard, 1976.

LACAN, J. Préface à l’Eveil du Printemps. IN: Autres écrits. Paris: Seuil, 2002.

________ Séminaire X – L’angoisse. Paris: Seuil, 2004.

________ Séminaire XI – Les quatre concepts fondamentaux de la psychanalyse. Paris: Seuil, 1973.

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_________ Télévision. IN: Autres écrits. Paris: Seuil, 2002.

MILLER, J-A. Clinique ironique. Paris: Revue de la cause freudienne. n. 23, 1993.

__________Du nouveau!… Introduction à la lecture du séminaire V de Lacan. Paris: Ed. Rue Huysmans, collection dirigée par l’ECF, 2000.

MILLER, J-A.; LAURENT, E. L’Autre qui n’existe pas et ses comités d’éthiques. Revue de la cause freudienne. n. 35, Paris, 1997.

RIMBAUD, A. Œuvre-vie. Éditions du centenaire. Paris: Arléa, 1991.

STEVENS, A. L’adolescence symptôme de la puberté. Les feuillets du courtil. n. 15, Publication du Champ Freudien en Belgique, 1998.

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