Manter de pé um coletivo ou organização da sociedade civil exige trabalho e dedicação constantes. Aquilo que chamamos sustentabilidade da organização – a capacidade de assegurar seu valor social e seu funcionamento ao longo do tempo – passa por fatores financeiros, mas não só. Também entram na conta fatores técnicos, que dizem respeito à qualidade do trabalho desenvolvido, à capacidade de construir conhecimentos, planejar, monitorar e avaliar as ações, e fatores políticos, relacionados à imagem da entidade e ao envolvimento dos seus públicos com a causa. 

Se a sustentabilidade de uma iniciativa envolve aspectos tão variados, é preciso mobilizar recursos também variados. É por isso que falamos em mobilização de recursos, ao invés de captação: trata-se da ação ampliada e permanente de articular parcerias, identificar oportunidades e desenvolver estratégias de atuação junto a redes de apoio mútuo, de modo a gerar recursos, apoio social e político para a organização. Os exemplos mais comuns de mobilização de recursos são: 

  • redes de voluntariado; 
  • sócios mantenedores; 
  • doações recorrentes; 
  • doações de equipamentos e materiais; 
  • vaquinhas e campanhas de financiamento coletivo; 
  • iniciativas de geração de renda e economia solidária; 
  • captação de recursos via editais. 

É claro que nada disso acontece do dia para a noite. Para início de conversa, planejamento e equipes sensibilizadas e capacitadas para esse trabalho são essenciais. A seguir, damos algumas dicas sobre como começar a desenhar estrategicamente a mobilização de recursos de um grupo da sociedade civil. 

Como mobilizar recursos para o seu coletivo?

Cada organização tem necessidades específicas quando o assunto é mobilização de recursos. Ou seja, mobiliza-se recursos diversos e com objetivos variados, mesmo porque os recursos financeiros nem sempre são os mais relevantes para a realização de certas atividades. Pensemos, por exemplo, num grupo dedicado à construção de hortas urbanas, que já conta com a doação de insumos por empresas parcerias. Nesse caso, a maior urgência pode ser conseguir mão de obra voluntária para um mutirão, ou ainda um ponto de apoio perto do terreno de uma horta. 

Para ajudar a pensar quais são as possibilidades de mobilização de recursos do seu coletivo, propomos uma atividade prática para ser realizada colaborativamente junto a seus integrantes. Para isso, é interessante contar com a colaboração do máximo de pessoas possível: desde quem acabou de chegar até quem está participando do grupo desde sua fundação. Essa diversidade de olhares ajuda a chegar num resultado mais rico, plural e representativo. 

O diagrama de Venn é uma metodologia que permite representar graficamente a natureza da relação de um grupo com seus públicos. Aqui, vamos usá-lo para posicionar possíveis colaboradores de uma organização segundo o tipo de contribuição que podem dar, sua capacidade de contribuição e sua proximidade com o coletivo. A cor das bolinhas representa o tipo de contribuição – financeira, material e força de trabalho -, enquanto o tamanho tem a ver com sua capacidade de contribuir com o coletivo. Já a distância em relação ao centro, onde está a instituição, vai dizer sobre o quão próximo é aquele relacionamento. 

No exercício de alocar coletivamente os públicos dentro do diagrama, é possível pensar como as parcerias podem nos ajudar a alcançar as principais demandas do coletivo. Voltamos ao exemplo do grupo que constrói hortas urbanas: ao olhar para o mapa de públicos, seus integrantes podem identificar a possibilidade de articular com a escola municipal do bairro um ponto de apoio, ou de chamar um grupo de jovens da igreja para contribuir com o mutirão. O relacionamento com uma vereadora, por sua vez, pode ser visto como estratégico para dialogar com o poder público. 

A partir daí, é hora de construir abordagens e discursos específicos para cada possível parceiro, sempre com abertura para uma relação que tenha benefícios para ambos os lados. Contato, aproximação, diálogo e acordo são algumas das palavras que orientam esse processo. 

Conheça algumas práticas bem sucedidas de mobilização de recursos! 

Acesse o guia e se inspire nas experiências e conquistas de onze organizações brasileiras.