Ao longo da história, grupos, comunidades e civilizações se reúnem e direcionam suas ações em prol de demandas, objetivos e identidades em comum. Nesse sentido, as sociedades foram se organizando, e a movimentação em suas redes de relações se complexificou para dar conta dos diversos aspectos da vida social. O termo mobilização social designa os movimentos das redes orientados pela ação política e cívica. Seu uso está diretamente ligado à emergência de sociedades democráticas e à noção de cidadania.  

Pode-se entender por mobilização “a reunião de sujeitos que definem objetivos e compartilham sentimentos, conhecimentos e responsabilidades para a transformação de uma dada realidade, movidos por um acordo em relação à determinada causa de interesse público”1.  

Em democracias representativas, a ação política ultrapassa a escolha de novos governos, ou a filiação partidária. Todas as esferas da sociedade são capazes de pautar o interesse público e promover movimentos em prol de suas causas. E a comunicação se apresenta como fator central na mobilização social. É ela quem transita questões da vida privada para a esfera pública através do compartilhamento de discursos, visões e informações, acionando identidades, coletivizando causas, promovendo engajamento e fortalecendo vínculos. 

E essa tal de comunicação para mobilização social? 

Para mobilizar é preciso pensar os sentidos que atravessam as relações e as motivações que as constituem. Também é preciso refletir sobre as ações e conteúdos que comunicam nos contextos das redes, além de levar em conta os ruídos e o dissenso. Seguindo essa lógica, a comunicação desempenha três importantes funções na mobilização social: coletivização, vinculação e identificação. 

Coletivizar é gerar visibilidade para as questões a partir de um movimento constante do individual para o coletivo. A percepção de que algo que afeta no individual é também um problema de outras pessoas leva ao entendimento de que a solução é alcançada pela união de esforços em prol das causas.  

As causas, por sua vez, devem ter suas razões expostas publicamente. É importante que sejam apresentadas como concretas, de interesse público, tenham relação com valores mais amplos e apontem possibilidades de transformação dos problemas. Ou seja, elas devem ter a identidade de um projeto de mobilização social.  

Para além da simples divulgação de fatos, a coletivização aciona interesses e empatias. Tem por objetivo promover engajamento, de forma a conferir aos sujeitos não apenas acesso à informação, mas provocá-los a incorporarem essa informação, apropriarem-se dela, multiplicarem-na e tornarem-se eles próprios fontes de novas informações.  

E não há mobilização social sem participação. A comunicação é o meio pelo qual é possível gerar e manter vínculos entre o projeto de mobilização e seus públicos. Essa vinculação se apresenta em diferentes níveis, que refletem os posicionamentos dos sujeitos em relação ao projeto mobilizador e orientam sua atuação na causa.  

Coletivizar, gerar empatia, promover engajamento e convocar à ação são movimentos que acontecem na construção de uma identidade comum, que seja inclusiva e ajude a organizar a vida comunitária e a solidariedade coletiva. Essa construção se dá por meio de elementos simbólicos que despertam sentimentos de reconhecimento e pertencimento nos indivíduos – e a comunicação é a prática que, nas relações, movimenta símbolos e códigos comuns para criação, transmissão e apreensão das informações. Pensar estrategicamente a comunicação é, portanto,  acionar as identidades dos sujeitos e públicos no processo mobilizador. 

Este conteúdo foi adaptado da cartilha Oficina de Mobilização e Articulação Social, elaborada em 2015 pela AIC, através do projeto Centro de Mídias de Acesso Público, patrocinado pelo programa Oi Novos Brasis, do Instituto Oi Futuro. 

 HENRIQUES, Márcio S. et. alii. Comunicação e Estratégias de Mobilização Social. 2.ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2004.